CM-04. A fé bíblica

A fé bíblica em ação

A fé em Deus é um princípio tão fundamental da doutrina de Cristo (Hb 6.1) que a própria palavra “crente” (pistos no grego, também traduzida como “fiel”) significa “aquele que tem fé”. Veremos nessa seção alguns princípios extremamente importantes para podermos desenvolver a nossa fé e sermos mais eficazes no serviço a Deus.

A) A importância da fé

A fé abre as portas do céu. Jesus ensinou que, com a fé, tudo é possível (Mc 9.23). Além disso, sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). A fé do centurião romano e da mulher cananéia receberam elogios de Jesus! (Mt 8.5-13; Mt 15.22-28).

Mas a incredulidade (o oposto da fé) nos afasta das bênçãos de Deus e até mesmo da sua presença em nossas vidas (Mt 13.58; Hb 3.12). A falta de fé dos discípulos foi repreendida por Jesus em várias ocasiões:

  • No barco agitado pelas ondas, ao duvidarem de que chegariam a salvo do outro lado do lago (Mt 8.26).
  • Quando não conseguiram expulsar um demônio (Mt 17.14-20).
  • Por duvidarem da providência divina (Lc 12.28).
  • Quando não creram no testemunho de que Ele havia ressuscitado (Mc 16.14).

Os evangelhos estão repletos de exemplos de pessoas que receberam milagres por que sabiam quem era Jesus e por causa da fé que tinham nEle. Em tais ocasiões, Jesus sempre fazia questão de deixar claro para eles a importância da sua fé, dizendo-lhes: “Vai, a tua fé te curou” ou “Seja feito conforme a tua fé“. Jesus procedia assim para que os crentes entendessem que, mediante a fé:

  • Nascemos de novo (1Jo 5.1)
  • Somos salvos (Ef 2.8; Hb 11.7; Ap 14.12).
  • Somos justificados diante de Deus (Rm 5.1)
  • Vivemos em justiça (Rm 1.17, 3.26; Hb 10.38-39).
  • Mantemo-nos unidos ao Corpo de Cristo (Ef 4.13; 1Tm 1.19).
  • Somos protegidos do Maligno (Ef 6.16).
  • Vencemos o mundo (1Jo 5.4)
  • Podemos tomar posse das promessas de Deus para nossa vida (Hb 6.12).
  • Podemos suportar tudo por amor a Deus e realizar coisas ousadas e grandiosas que O glorificam (Hb 11).

Portanto, se você quer crescer espiritualmente, agradar e glorificar a Deus, é simplesmente fundamental que você desenvolva e aplique a sua fé! Mas antes é necessário entender com maior profundidade o que é fé.

B) O que é (e o que não é) a fé bíblica

A Bíblia define fé como uma “firme convicção ou certeza de fatos que não se vêem” (Hb 6.1). É muito importante ressaltar nessa definição que a palavra “fatos” (pragma, no grego) significa “aquilo que já foi realizado“! Ou seja, a fé não é a simples esperança em algo que ainda não aconteceu, mas a plena certeza de coisas que já são uma realidade nas regiões celestiais, mas que ainda não se concretizaram no nosso mundo físico. Em Mc 11.24 Jesus nos garantiu que “tudo o que vocês pedirem em oração, creiam que já receberam, e assim acontecerá com vocês”. Note que o primeiro verbo (receber) está no passado, isto é, o fato já aconteceu pela fé! E, pela perseverança na oração, esse fato é trazido à realidade material (“acontecerá”, no futuro). Preste atenção: fé não é apenas um desejo, não é “pensamento positivo” e nem emoção ou sentimento. Deus não está pedindo que você creia em algo irreal, mas em algo que Ele já realizou no plano espiritual, pelo amor que Ele tem por você. Que coisa maravilhosa! O fundamento da fé não é um sonho místico, irreal, mas uma realidade espiritual!

A essa altura fica mais clara a diferença entre fé e esperança. A esperança é colocada em uma coisa que ainda não aconteceu: aquilo que esperamos está no futuro. Por exemplo, temos esperança na volta de Jesus, na ressurreição dos mortos, em reinar com Cristo no Milênio, em morar no céu. Porém, note que nenhum milagre jamais foi gerado pela esperança, mas sempre pela fé! O que pode mover montanhas e lançá-las ao mar é a fé na realidade das promessas de Deus em Sua Palavra (Mc 11.22-24).

Também há diferença entre a fé humana natural e a fé bíblica espiritual. Todo mundo tem a fé natural, mas a fé bíblica só tem aquele que nasceu de novo (2Ts 3.2). Todos os que nasceram de novo têm a fé bíblica (Rm 12.3). Portanto, amado irmão, você já tem essa fé poderosa “instalada” em você! É verdade que, no início da nossa vida em Cristo, ela pode ser pequena e inconstante. Mas a boa notícia é que podemos, através do conhecimento e prática da Palavra de Deus, fazer com que os “músculos” da nossa fé se fortaleçam, e assim passamos a conquistar coisas cada vez mais grandiosas, para glória de Deus. A sua fé pode crescer! (2Co 10.15; 1Ts 1.3). Basta aprender como colocá-la em funcionamento.

C) Os pré-requisitos para que a fé realmente funcione

É importante compreender que há quatro pré-requisitos para que a fé possa operar em nossas vidas. Se essas condições faltarem, a fé torna-se inoperante!

O primeiro, e mais importante de todos, é o amor (1 Co 13.2). O amor é mais importante do que a própria fé! (1Co 13.13). A fé bíblica opera através do amor (Gl 5.6). Isso significa duas coisas:

  • Primeiramente, o que realiza os milagres da fé não somos nós, mas o amor que Deus tem por aquele que expressa fé nEle e na Sua Palavra.
  • E em segundo lugar, somente tem valor diante de Deus aquilo que a nossa fé realiza a partir do fundamento de amor que Deus colocou em nosso coração. Milagres e atos de fé desprovidos de amor são obras mortas diante de Deus; são iniquidade que despertam Seu juízo! (Mt 7.22-23).

Por isso é fundamental que compreendamos e vivamos o amor que vem de Deus: leia 1Co 13, meditando ponto por ponto. O amor ágape é servidor; não busca seus próprios interesses. O antônimo de amor não é o ódio; é o egoísmo!

E esse amor sobrenatural descrito em 1Co 13 não é algo inatingível, fora do nosso alcance. A realidade é exatamente o contrário: o amor ágape já está dentro de nós (Rm 5.5; 2Tm 1.7). Mas a verdade bíblica é ainda mais profunda do que isso: se Deus é amor (1Jo 4.8,16), e se somos nascidos de Deus (1Jo 5.1), e se o que se une ao Senhor é um só espírito com Ele (1Co 6.17), e se tal como Ele é assim somos nós neste mundo (1Jo 4.17), então você é o próprio amor ágape de Deus! Agora leia de novo 1Co 13.1-7 em voz alta, conjugando os verbos na primeira pessoa, aplicando-os a você! Tome posse dessa realidade espiritual, e comece a praticá-la, pela fé.

O segundo pré-requisito para que a fé funcione é o perdão. Quem ama de verdade, perdoa sem dificuldade. Se não perdoarmos as pessoas ao nosso redor (incluindo até quem nos persegue), nossas orações simplesmente não serão ouvidas pelo Pai Celeste! (Mt 6.14-15). E como o que move a fé é a oração, a falta de perdão bloqueia a operação da fé. Por isso, jamais permita que a falta de perdão, os rancores ou ressentimentos contra alguém encontrem morada em seu coração. Ao sentir-se magoado ou ofendido, tome sempre a iniciativa de conversar de maneira franca e transparente com o ofensor, repreendendo-o com muito amor e buscando a reconciliação (Mt 18.15-17, 21-22). E se você é o ofensor, não demore em reconhecer o erro; humilhe-se e peça perdão, para que a sua comunhão com Deus e com os irmãos seja restaurada (Ef 4.26).

O terceiro pré-requisito para que a fé possa operar é andar em justiça diante de Deus. Se alguém não é justo, sua oração não tem qualquer efeito. A oração de um justo, porém, é poderosa e eficaz (Tg 5.16). Mas o que é ser justo? Quando aplicada a uma pessoa, a palavra “justo” (dikaios no original grego) significa “aquele que obedece a Deus”. E por causa dessa obediência, o justo não anda em pecado; ele é irrepreensível, isto é, não tem do quê ser acusado (Rm 8.1). Ele faz sempre o que é agradável a Deus, e recebe tudo o que pede, porque sempre pede, com confiança, aquilo que está de acordo com a vontade do Senhor (1Jo 5.14). Quem pede com motivação egoísta, não recebe nada de Deus (Tg 4.3).

Ainda sobre este ponto, convém esclarecer que a justiça que estamos falando aqui não é nossa justiça própria, humana, carnal e falível (Rm 3.10, 20), mas a justiça que vem de Deus, pela fé nEle, e que nos permite andar diante do Senhor em santidade (Rm 3.28, 5.1; Gl 2.16). Esta justiça está sempre ao nosso alcance, toda vez que nos voltarmos para Ele com um coração contrito (1Jo 1.9). Ló e Elias não eram perfeitos, mas a Bíblia os chama de justos (2Pe 2.7; Tg 5.16-18). Davi transgrediu praticamente todos os dez mandamentos, mas a Bíblia afirma que ele era um “homem segundo o coração de Deus” (At 13.22), porque ele sabia voltar-se para Deus toda vez que pecava. E nós já somos justiça de Deus, porque é Deus quem nos justifica (Rm 3.30, 8.33, 10.4).

E finalmente, o quarto pré-requisito para que a fé bíblica possa operar é a constância e perseverança na oração. Os milagres, sinais e prodígios eram comuns na igreja de Atos porque os irmãos perseveravam na oração (At 1.14, 2.42-43). Abraão, Jacó e Moisés, por exemplo, obtiveram grandes bênçãos de Deus porque sabiam insistir diante dEle em oração (Gn 18.32, 32.26; Dt 9.18). Jesus deixou clara a importância de orar insistentemente: orar com fervor até conquistar o objetivo (Lc 18.1; Mt 7.7). O apóstolo Tiago advertiu os irmãos inconstantes na fé, pois aqueles que vacilam e duvidam após terem pedido, jamais receberão coisa alguma de Deus (Tg 1.6-8).

Mas é importante entender porque é que a perseverança em oração “funciona”. Não é porque, ao sermos insistentes, “cansamos” a Deus ou “esgotamos” sua paciência e então ele finalmente “entrega os pontos” e responde nossa oração. Talvez muitos tenham essa percepção equivocada, mas não é nada disso. Slide1A oração daquele que persevera funciona porque quem persevera em oração desenvolve intimidade com Deus, e Ele sempre responde aos seus amigos íntimos! Mesmo estando como homem aqui na terra, esvaziado da glória que tinha na eternidade antes de encarnar-se, Jesus mantinha-se íntimo do Pai através de longos períodos de oração (Mc 1.35. 6.46; Lc 5.16, 6.12). Por isso, Ele era capaz de discernir e agir segundo a vontade do Pai. Da mesma maneira, temos que investir tempo em oração, não em monólogos com Deus, mas também aprendendo a ouvir a voz de Deus, num relacionamento de intimidade com Ele. Então saberemos pedir segundo Sua vontade, em Seu nome, e tudo o que pedirmos Ele nos concederá, para que “o Pai seja glorificado no Filho” (Jo 14.13).

Uma vez conhecidos e observados os pré-requisitos da fé, vejamos como podemos colocá-la em prática da maneira mais eficaz possível.

D) Os três princípios da fé bíblica

Podemos extrair da Bíblia um verdadeiro tesouro; um “segredo” que pode multiplicar nossa capacidade de agradar a Deus com muitos frutos que O glorificam: o fato de que Slide1a fé é praticada e desenvolvida através da aplicação de três princípios básicos, nessa ordem:

1) Crer a Palavra no coração.

2) Falar a Palavra com a boca.

3) Praticar a Palavra com as ações.

Antes de desenvolver os detalhes de cada princípio, note que os três envolvem a Palavra de Deus. De fato, fé e Palavra são inseparáveis, pois é a Palavra de Deus que abre nosso ouvido espiritual para a fé (Rm 10.17). Por isso, Paulo se refere a essa Palavra como a “palavra da fé” (Rm 10.8b). Portanto, a fé que não está fundamentada na Palavra de Deus não é a fé bíblica; é misticismo antibíblico.

Entendamos bem cada princípio, antes de ver exemplos bíblicos de sua aplicação:

Primeiro princípio: crer a Palavra no coração. O texto base para este princípio é Mc 11.22-24. No versículo 22 Jesus nos ensina a “ter fé em Deus”. Isso significa reconhecer que é dEle todo o poder para nos abençoar e realizar milagres: sem Ele nada podemos fazer (Jo 15.5). “Ter fé em Deus” significa também que é necessário realmente crer nas promessas infalíveis da Sua Palavra. Nos versículos 23 e 24, os textos “não duvidar no coração, mas crer” e “crede que recebestes” falam de uma fé interior (no coração, isto é, no nosso espírito), a qual, como já vimos, tem plena certeza de que a “rhema” de Deus já é um fato real no plano espiritual, antes mesmo de que ela aconteça no plano material. Essa certeza sobrenatural não pode vir da mente, mas somente através de revelação da “rhema” no espírito. E isso só pode acontecer através da comunhão íntima com Deus, em oração. O versículo 24 diz: “tudo o que vocês pedirem em oração“. Como já vimos, para receber qualquer coisa de Deus é pré-requisito investir tempo em oração, com fé no coração, crendo que Ele é fiel para cumprir suas promessas (2Co 1.19-20; Lc 11.9; Jo 15.7).  É importante também notar a atitude correta de coração: nos acercamos a Ele em oração para pedir, não para dar ordens. Em todas as 68 vezes que ocorre no NT, a palavra “pedir” (aiteo no grego) significa uma petição humildemente colocada a uma autoridade superior (um pai, um rei, Deus). Muitos pedem e não recebem porque dão ordens a Deus, “determinando” o que Ele deve fazer, como se fosse um servo à nossa disposição, como um “gênio de lâmpada mágica”.

Ao falarmos de “crer no coração” e dos atos ousados que podemos realizar pela fé (por exemplo, Elias diante dos profetas de Baal) Slide1é de vital importância entender a diferença entre fé e presunção: tentar agir “pela fé” somente porque está escrito (logos), sem a revelação da “rhema” no espírito, não é fé; é apenas presunção, e isso pode ser perigoso! Por exemplo: está escrito que Deus é dono do ouro e da prata, e que Ele se alegra com a prosperidade de seus servos, mas se alguém decide “apropriar-se” dessas promessas sem ter orado, sem ter buscado de Deus revelação espiritual sobre como conduzir suas finanças, procederá tolamente e realizará gastos acima de sua capacidade, e certamente cairá no laço do endividamento. Certas irmãs na Coréia decidiram atravessar um rio turbulento caminhando sobre as águas (porque “estava escrito” que assim fez Pedro) e morreram afogadas. O Pr. Larry Parker e sua esposa [ref. 4, seção D7, pág. 94] também pagaram um preço alto para entender a diferença entre fé e presunção: a morte de seu filhinho diabético, porque “pela fé” retiraram dele o tratamento com insulina, após o terem levado para ser ungido com óleo, segundo Tg 5.14. Ao tentar Jesus, Satanás tentou convencê-lo a fazer um ato presunçoso: saltar do pináculo do templo, porque “estava escrito” que Deus o sustentaria. Mas Jesus conhecia a diferença entre logos e rhema, e entre fé e presunção.

Resumindo o primeiro princípio (crer a Palavra no coração): a fé no coração é uma forte convicção interior na Palavra (rhema) de Deus, a qual pode vir através da revelação espiritual da “logos” (Bíblia) ou diretamente pela intuição do Espírito Santo em nosso espírito, sempre através de um relacionamento de intimidade com o Senhor, construído pela perseverança na oração. Dependa sempre da ajuda do Espírito Santo e persevere em oração, até receber o sinal interior da “rhema” de Deus queimando em seu espírito. Então comece a praticar o segundo e terceiro princípios.

Segundo princípio: falar a Palavra com a boca. Tendo plena certeza de fé em seu coração, crendo que Deus já realizou no plano espiritual aquilo que você pediu segundo a vontade dEle, comece a declarar tal fato. Note em Mc 11.23 que Jesus repete “se alguém disser” e “crer que se fará o que diz, assim será com ele”. Ou seja, o que traz a realidade espiritual à nossa realidade material é a palavra “rhema” que antes foi recebida no espírito e agora é declarada com a boca. Portanto, além de crer no coração, é preciso declarar a “rhema” específica recebida no coração. Crer e falar o que se creu são coisas intimamente relacionadas (leia o que Paulo escreveu sobre o “espírito da fé” em 2Co 4.13, a partir de Sl 116.10).

Deus criou todas as coisas pelo poder da Sua Palavra (Hb 11.3, “rhema” no original). Note em Gn 1 que todo ato da criação é precedido das palavras “e disse Deus”. Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, e, portanto, também há poder em nossas palavras. São muitas as passagens bíblicas que confirmam isso, por exemplo:

  • Pv 18.20-21 afirma que na língua está o poder da morte e da vida, e que quem a utiliza bem (declara coisas boas) comerá do fruto do que disse (pois o que ele disse se concretizará). O mesmo confirma Pv 12.14a.
  • Pv 10.11 ensina que a boca do justo é fonte de vida; isto é, ao declarar as coisas boas que ele tem no coração, elas tornam-se vida concreta para ele e para as pessoas ao seu redor (ver tb. Lc 6.45).
  • Pv 11.9 e Pv 18.7 revelam ainda que o poder da declaração ou confissão também funciona do lado negativo. Até o ímpio tem poder com suas palavras: elas podem destruir o próximo, e também sua própria vida.

O que qualquer pessoa declara com a boca pode fazer a diferença entre sua justificação ou sua condenação! Leia Mt 12.36-37. Aqui, “palavra frívola” (argos, no grego) significa palavra negligente, descuidada, impensada, incluindo as palavras proferidas com ódio no coração. Slide1Deus não terá por inocente aqueles que fazem mau uso do poder das suas palavras. Por isso os mexericos, as murmurações e a maledicência são coisas abomináveis no meio do povo de Deus. Quem insiste nesse pecado e não se arrepende, está colocando em risco sua própria vida! É importante observar que na lista dos condenados que não entrarão no céu estão os maldizentes, isto é, aqueles que usam sua língua para o mal (1Co 6.9-10). Existe um Ladrão e Acusador das más palavras que você diz (Jó 1.7; Ap 12.10), as quais darão “base legal” para o inimigo atuar em sua vida. Mas graças a Deus que também existe um Apóstolo e Sumo Sacerdote do que você confessa com fé: Jesus! (Hb 3.1). Por isso devemos ser muito cuidadosos em usar nossas palavras para bênção e edificação, e nunca para destruição!

Se declaramos coisas boas, possuiremos coisas boas, e o contrário também é válido. Os dez espias enviados por Moisés em Nm 13-14 declararam: “Não poderemos subir contra esse povo” (Nm 13.31) e levaram o povo a dizer: “Melhor seria morrer no Egito ou neste deserto” (Nm 14.2). E foi exatamente isso o que eles colheram! Em Nm 14.28 Deus lhes sentencia: “Tal como vocês falaram aos meus ouvidos, assim lhes farei”. Mas Josué e Calebe creram no coração a palavra de conquista de Canaã que Deus havia dado ao povo judeu (primeiro princípio) e confessaram exatamente o contrário (segundo princípio). Em Nm 13.30 Calebe disse: “Certamente prevaleceremos”. E pela sua fé na “rhema” de Jeová, seguida da sua declaração da mesma, Calebe obteve vitória.

Nessa mesma passagem podemos ver os dois princípios da fé funcionando também para Moisés. Deus havia decidido destruir todo o povo por causa da sua incredulidade e rebeldia, mas em Nm 14.15-18 vemos que no coração de Moisés ardia o zelo pelo nome de Iavé e por sua Palavra (primeiro princípio). Por isso ele orou ousadamente (Nm 14.13-19) declarando a Deus Sua própria Palavra (segundo princípio). E Deus disse a Moisés: “Conforme a tua palavra, lhes perdoei” (Nm 14.20). E assim, pela fé e oração de Moisés foram salvos no meio do povo todos os jovens inocentes, que tinham menos de 20 anos de idade.

NOTA: Antes de concluir este ponto, convém deixar claro que não estamos dizendo que Deus não fará nada se você não declarar com a boca. O Deus Todo-Poderoso é soberano, e nenhum dos seus planos pode ser frustrado. Ele nos guia através das circunstâncias da vida buscando sempre nosso aperfeiçoamento, nos guarda, nos livra e nos provê de muitas coisas, independentemente de que tenhamos muita fé e confessemos a palavra da fé. O que estamos ensinando aqui é que podemos e devemos ser cooperadores do evangelho, crescendo de fé em fé; podemos e devemos agradar a Deus com a prova da nossa fé. E a aplicação prática dos princípios da fé bíblica nos ajudarão muito a conquistar tais objetivos!

Resumindo o segundo princípio (falar a Palavra com a boca): há poder de realização no que você declara com fé, sem duvidar, se o que você diz é a “rhema” de Deus firmemente enraizada no coração. A língua é o leme da sua vida! (Tg 3.1-12). Não dê lugar ao diabo (palavras negativas para ele usar). Declare somente palavras de vida, de bênção, de fé. Além de produzir resultados no plano espiritual, a declaração audível da Palavra colocará sua alma (seu centro de decisão e vontade) a serviço da fé, convencendo-a e levando-a a agir.  Prostre-se humildemente diante da autoridade de Deus e da Sua Palavra, creia nela, declare-a, e em seguida levante-se no poder de Deus e comece a agir segundo a medida de fé que Ele coloca em nosso espírito!

Terceiro princípio: praticar a Palavra com as ações. Quem realmente crê, age de acordo com o que crê. De fato, podemos constatar que as pessoas são o que elas crêem que são, porque suas decisões e ações determinam seu estilo de vida. Por isso o apóstolo Tiago adverte que a fé sem ações correspondentes é morta (leia Tg 2.14-26). Em outras palavras, a fé que não se manifesta em ação fervorosa não é fé, é apenas  enganação religiosa (Tg 1.22). Vejamos alguns exemplos na Bíblia para ilustrar o funcionamento dos três princípios da fé bíblica:

A cura da mulher com fluxo de sangue (Mc 5.25-34): podemos ver nesse trecho que em primeiro lugar (conforme o primeiro princípio da fé bíblica), no coração daquela mulher havia fé em Deus e em sua Palavra: ela sabia que Jesus era Deus e que Ele tinha poder para curá-la (tanto é que o próprio Jesus reconheceu isso, no versículo 34: “a tua fé te curou”). Em segundo lugar (conforme o segundo princípio), ela disse: “Se eu apenas tocar nas suas vestes, serei curada” (versículo 28: “porque dizia“). Mas ela não recebeu a cura enquanto não agiu segundo a fé que tinha: apesar de estar extremamente debilitada, ela teve que sair da sua casa, ir até Jesus, esforçar-se por abrir caminho entre a multidão, até conseguir tocar as vestes de Jesus: ela agiu de acordo com a fé (terceiro princípio).

Em Jz 6-7 vemos que Gideão, após ter recebido (muita) confirmação de que Deus realmente o levantara para libertar Israel da mão dos midianitas, finalmente creu na “rhema” que o Senhor já lhe havia anunciado em Jz 6.14,16 (primeiro princípio). Então, em Jz 7.15, Gideão declara aos seus 300 homens a “rhema” da vitória (segundo princípio). E então ele age segundo as instruções recebidas de Deus (terceiro princípio), para derrotar os midianitas de maneira sobrenatural.

Sabemos que Davi tinha um coração cheio de fé e zelo por Deus e Sua Palavra (primeiro princípio). Por isso, ao ouvir as afrontas de Golias contra o exército israelita, fica indignado: “Quem é este incircunciso filisteu para afrontar os exércitos do Deus vivo?” (1Sm 17.26). Mais adiante (1Sm 17.45-47) ele diz palavras de vitória, em nome do Senhor dos Exércitos, contra  Golias (segundo princípio): “Disse Davi ao filisteu…”. E finalmente ele agiu de acordo com tais palavras, cheio de fé (terceiro princípio): Davi se apressou, correu para o combate e matou Golias!

Resumindo o terceiro princípio (praticar a Palavra com as ações): após ter recebido o “sinal interior” da convicção de fé sobre a Palavra de Deus, declare-a sem duvidar e passe a agir de acordo com a mesma. E esteja preparado para as maravilhas que o Senhor realizará através de você!

Aplique os três princípios da fé bíblica a todos os aspectos da sua vida. Em primeiro lugar, conheça as muitas promessas de Deus registradas na Bíblia sobre salvação, libertação, cura de enfermidades, vitória contra o pecado, autoridade sobre o inimigo, crescimento em fé, amor, perdão, conhecimento espiritual, prosperidade material e tantas outras. Entre elas, escolha a que for mais importante ou necessária nesse momento da sua vida de serviço a Deus e ao próximo, e passe a meditar e orar com perseverança sobre ela, até que em seu coração venha a plena certeza da fé. Em seguida, passe a declarar a Palavra Viva sobre você, sua casa, sua família, seu trabalho, seus líderes, seus discípulos, a igreja e demais irmãos, seus vizinhos, colegas e amigos, sempre agradecendo a Deus por Seu infinito amor e fidelidade. Você vai ver que a fé funciona!

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