DD-05. O Deus da Bíblia

sinai1-590x449Vamos cobrir nesta lição alguns pontos muito importantes sobre o que a Bíblia revela de Deus para nós:

Há um só Deus, ou vários deuses?
Quais são os atributos únicos e exclusivos de Deus?
Quais atributos de Deus nós também podemos ter?
Existe contradição entre o amor de Deus e a sua justiça?
Por que Deus não se revela mais claramente?
Por que Deus permite o sofrimento de pessoas inocentes?

Há um só Deus, ou há vários deuses?

A Bíblia afirma claramente que há um único Deus (Dt 6.4; Is 43.10,11; 45.21; 1 Co 8.5,6; Ef 4.6; 1 Tm 2.5). Portanto, com base nesses versículos, fica claro que Deus é um só.

Mas a Bíblia também afirma claramente que:

  • Há um Pai Celestial que é Deus (Jo 6.27; Ef 4.6);
  • Há um Filho de Deus, Jesus Cristo, que é Deus (Hb 1.8; Jo 1.1; 20.28);
  • E há um Espírito Santo, que é Deus (At 5.3-4; 2Co 3.18).

A única forma de conciliar esta aparente contradição, sem distorcer o que a Bíblia diz, é chegar à conclusão da doutrina da Santíssima Trindade: O Deus uno se manifesta em “três Pessoas distintas, compartilhando uma só natureza divina comum: Deus Pai, Deus Filho (Jesus Cristo) e Deus Espírito Santo. Nenhuma destas pessoas é Deus sem as outras, e cada uma, juntamente com as outras, é Deus. As três pessoas não são três deuses, nem três partes ou expressões de Deus, mas são tão perfeitamente unidas que constituem o único Deus verdadeiro e eterno. Nem o Pai, nem o Filho, nem o Espírito Santo foram feitos ou criados em tempo algum, mas cada um é igual ao outro em essência, atributos, poder e glória” (ref. [1]; Mt 1.11, nota).  As três pessoas são igualmente associadas e apresentadas como um só ser (Mt 28.19, “nome”, 2Co 13.13).

A Trindade é um mistério, e faz sentido que seja um mistério, porque Deus é transcendente, isto é, Ele é de uma natureza muito superior e completamente diferente da nossa, pois Ele é o Criador, e nós somos criação Sua. Portanto, Deus está muito acima da nossa compreensão limitada (Is 55.8-9). Mas apesar de que seja um mistério, a Trindade não é uma contradição. Ela seria uma contradição se afirmasse que há um só Deus e também que há três Deuses, mas não é isso o que a doutrina da Trindade diz; ela afirma que há um Deus em três pessoas que compartilham a mesma natureza divina.

Embora a palavra “trindade” não esteja na Bíblia, essa doutrina faz parte da Bíblia, e seria impossível entender corretamente a Bíblia sem ela. Por exemplo: os unicistas afirmam que Jesus é o Pai, o Filho e também o Espírito Santo, ou seja, Deus seria a mesma pessoa: Jesus. Mas se fosse assim, seria impossível entender versículos como Jo 14.16, no qual Jesus promete que vai pedir ao Pai (ele mesmo?!) e o Pai enviará outro Consolador (ele mesmo?!).

A Santíssima Trindade está revelada em parte no AT e plenamente no NT. Ela aparece de forma velada já nos três primeiros versículos da Bíblia: em Gn 1.1-3 temos Deus o Pai (“no princípio criou Deus os céus e a terra”), o Espírito Santo (“o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas”) e Deus o Filho, o Verbo, a Palavra de Deus (“e disse Deus”). Em Gn 1.26 lemos “façamos o homem à nossa imagem”. Note que o verbo está no plural. Deus não está falando com os anjos aí, porque os anjos são criaturas e não têm capacidade de criar, pelo que Deus não teria necessidade de convidá-los para criar o homem. Deus o Pai está convocando outras pessoas com poder criador, tal como Ele tem: as demais pessoas da Trindade. O mesmo plural aparece em Gn 11.7 (“desçamos”). Elohim, a palavra do original hebraico traduzida como Deus, é plural gramatical, assim como Adonai (p.ex. Gn 15.2, 20.4), que significa Senhores, nome que os judeus usavam para, reverentemente, substituir o tetragrama IHVH, designativo do nome de Deus (ref. [9], p. 31,32). No NT fica mais claramente revelada a Trindade. Em Mt 28.19 Jesus manda batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (as três pessoas, na mesma posição de autoridade para testificar o nascimento de um novo discípulo). Em Mc 1.9-11 vemos Jesus, o Filho sendo batizado, o Espírito Santo descendo sobre Ele, o Pai dizendo “Este é o meu Filho Amado”. E assim em várias outras passagens são mencionadas as três pessoas divinas do único e soberano Deus: Jo 15.26; 1Co 12.4-6; 2Co 13.14; Ef 2.18; Ef 4.4-6; 1Pe 1.2; Jd 20,21.

Quais são os atributos únicos e exclusivos de Deus?

É maravilhoso constatar que, apesar da Bíblia ter sido escrita por dezenas de autores que viveram em épocas diferentes, ela revela o mesmo e único Deus, com possui os seguintes atributos exclusivos dEle, que nenhum outro ser possui [ref. 1, p. 915]:

1. Deus é onipresente, isto é, Ele está presente em todos os lugares e em todos os tempos. Nada e nem ninguém pode escapar da Sua presença (Sl 139.7-12; Jr 23.23,24; At 17.27,28).

2. Deus é onisciente, isto é, Ele conhece todas as coisas. Só Ele tem perfeita sabedoria e conhecimento. Não podemos ocultar nada de Deus; Ele tudo vê e tudo sabe (Sl 139.1-6; 147.5; 1 Rs 8.39).

3. Deus é onipotente, isto é, Ele pode realizar qualquer coisa. Para Ele nada é difícil ou impossível (Sl 147.13-18; Is 43.13; Jr 32.17; Mt 19.26).

4. Deus é transcendente, isto é, diferente, independente, infinitamente maior e mais elevado do que a sua criação. Ele está muito acima de qualquer comparação ou capacidade humana de compreensão (Is 6.1-3; 40.12-26; 55.8,9; At 17.24,25; 1 Tm 6.16).

5. Deus é eterno, isto é, Ele sempre existiu. Deus nunca teve início e jamais terá fim (Sl 90.1,2; 102.12; Is 43.13; 57.12).

6. Deus é imutável, isto é, Ele é sempre o mesmo; nunca mudou e jamais mudará (Nm 23.19; Sl 102.26-28; Ml 3.6; Hb 1.11,12; Tg 1.17).

7. Deus é perfeito e santo, absolutamente isento de pecado e perfeitamente justo. Ele nunca falhou e nunca falhará (Lv 11.44,45; Sl 145.17; Mt 5.48, Tt 1.2; Hb 6.18).

Quais atributos de Deus nós também podemos ter?

Deus, na sua Palavra, revela ainda os seguintes atributos morais os quais, como filhos seus, também podemos expressar através da vida de Jesus Cristo residente em nós pela fé:

  • Deus é bom (Sl 25.8; 106.1; Mt 5.45; At 14.17; Sl 145.18-20);
  • Deus é amor (1 Jo 4.8; Jo 3.16; Rm 5.8);
  • Deus é misericordioso e compassivo (Ex 34.6; Dt 4.31; 2 Rs 13.23; 2 Cr 30.9; Sl 103.8; 111.4; Jl 2.13; Mt 9.36; 14.14; 20.34);
  • Deus é paciente e lento em irar-se (Ex 34.6; Rm 2.4; 1 Pe 3.20);
  • Deus é fiel (Ex 34.6; Dt 7.9; 1 Co 1.9; Hb 10.23);
  • Deus é justo (Dt 32.4; 1 Jo 1.9); apesar de amar o pecador, Ele revela sua ira contra todas as formas de iniqüidade (Rm 1.18), principalmente a idolatria (1 Rs 14.9), a incredulidade (Sl 78.21,22) e o tratamento injusto para com o próximo (Is 10.1-4; Am 2.6,7).

Existe contradição entre o amor de Deus e a Sua justiça?

Os incrédulos, ateus e agnósticos recusam-se a crer em Deus porque dizem que, se Ele existe e é Amor, então é totalmente incoerente que Ele venha a lançar pessoas no inferno. Ou seja: ou Deus não existe, ou ele é imperfeito e contraditório. E como não faria sentido crer em um “deus imperfeito”, eles preferem não crer em nenhum deus.

Esse argumento revela claramente o grande problema da humanidade rebelde, cega pelo seu próprio pecado e orgulho, colocando-se acima de Deus. Recusam-se a reconhecer que é o seu próprio pecado que causa a ira e a justiça de Deus, e O acusam de ser injusto. É a Criatura julgando o Criador!

Mas, como vimos antes, Deus é perfeitamente santo. Por isso, é impossível que Ele tolere qualquer tipo de impureza naqueles que estarão eternamente em Sua presença. Nenhum resquício de trevas pode permanecer diante de uma forte luz. E um dia, para cumprir Seu propósito eterno, Deus terá que executar Seu julgamento sobre todas as pessoas de todas as épocas, vivos e mortos.

Vendo toda a humanidade perdida no pecado e sabendo que nenhum homem poderia auto-purificar-se e escapar da condenação eterna, Deus Pai enviou o Deus Filho para encarnar-se e assim tornar-se Jesus, o único Homem perfeito, a fim de que Ele recebesse a condenação em nosso lugar e pagasse a dívida do pecado. E por que tamanho sacrifício? Porque Deus ama profundamente a cada um dos homens (mesmo o pior pecador), muito além do que possamos imaginar, e deseja que todos se salvem.

Portanto, não existe nenhuma contradição entre a justiça de Deus e seu amor. Pelo contrário, foi para satisfazer a Sua justiça que Ele enviou Jesus a este mundo, como suprema dádiva de amor (Jo 3.16; 1 Jo 4.9,10).

Por que Deus não se revela mais claramente?

A Bíblia se refere a Deus muito mais como sendo um Ser “oculto” do que “óbvio”. Veja por exemplo: Sl 10.1, 27.9, 55.1, Is 8.17. Por que será que Deus age assim? Qual será o motivo?

Não seria tudo mais fácil se Ele se revelasse claramente à humanidade, deixando por exemplo uma mensagem miraculosa com letras de ouro suspensas no céu durante 10 minutos, todo fim de tarde, dizendo: “Eu Sou Deus. Convertam-se!”?

Uma vez os fariseus pediram que Jesus fizesse um sinal miraculoso, para que eles então cressem nele. Mas Jesus se recusou! (Mt 12.39). Qual será o motivo? Será que Jesus, que deu a vida pela humanidade, não estava interessado em salvar aqueles homens?

O relato que o próprio Jesus fez do rico impiedoso e do pobre chamado Lázaro (Lc 16.19-31) nos ajuda a entender o porquê. Para que alguém conheça a Deus é preciso que primeiramente sinta necessidade dEle e se  arrependa. Então (e só então) será perdoado e salvo. Se Deus se revelasse a nós pela grandiosidade de um milagre ou pelo temor de seu poder, nós não o buscaríamos com sinceridade de coração. Jesus censurou aqueles que o seguiam apenas “pelo pão que perece” (Jo 6.26-27). E quando Deus se manifestou de forma poderosa, fazendo tremer o Monte Sinai, o povo pediu que apenas Moisés falasse com eles, e não Deus  (Ex 19.20).

Então a resposta é: Deus se oculta de nós para que O busquemos e tenhamos comunhão com Ele (Jr 29.11-14; Tg 4.8). Se Deus não se ocultasse, nós não o buscaríamos, e se não o buscássemos, continuaríamos irremediavelmente perdidos em nossos pecados. Concluímos, portanto, que é o Amor de Deus por nós que O leva a ocultar-Se, para que O busquemos, O achemos, e desfrutemos da Sua gloriosa presença em nossas vidas! (Mt 11.28-29; Jo 6.37).

Por que Deus permite o sofrimento de pessoas inocentes?

Em todo o livro de Jó, essa é a pergunta que fica no ar. O próprio Deus elogiou a retidão de Jó, mas permitiu que ele perdesse todas as suas riquezas, todos os seus filhos, e fosse acometido de uma doença terrível, com feridas dos pés à cabeça. Por que? No final, quando Deus fala com Jó, sua resposta pode ser resumida assim: “Confie em Mim. Eu sei mais do que você…”. E no final vemos um Jó duplamente abençoado, que passou a conhecer a Deus não apenas de ouvir falar, mas de contemplá-lO com seus próprios olhos.

O maior sofrimento (todo o ritual de crueldade da crucificação) afligido ao Homem mais inocente que o mundo jamais viu (Jesus) mostra no final o propósito glorioso de Deus, de redimir a humanidade e restaurar a comunhão perfeita com Ele, através do seu Filho Amado, Jesus Cristo.

Diante do sofrimento dos justos e inocentes, a pergunta “por que?” nos coloca na posição e no foco errado. Na posição errada, porque nos colocamos como juízes dos atos de Deus, como se disséssemos: “Deus, acho que o Senhor não está agindo corretamente nessa situação. Deve haver algum engano. EU não acho isso certo…” (que foi o que Pedro disse a Jesus em Mt 16.23). Perguntar “por que?” nos coloca no foco errado porque nos desvia do propósito final e infinitamente mais sábio que Deus tem, ao permitir o sofrimento de inocentes. Portanto, a atitude mais correta é confiar totalmente no amor e sabedoria de Deus, diante de qualquer situação. E se temos que perguntar alguma coisa a Deus ao enfrentar o sofrimento em nossas vidas e na vida daqueles que amamos, que a pergunta seja “Para quê, Senhor?”. No final, nos será revelado o propósito de Deus, e compreenderemos que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28).

REFERÊNCIA

[1] Donald C. Stamps, “Bíblia de Estudo Pentecostal”, Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1995.

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