VC-04. Anotações do Áudio 4

Curso “Vivendo pela Vida de Cristo em Nós” – Frank Viola

Lição 4: O fruto do espírito e as obras da carne

NOTA: Essas são minhas anotações sobre os pontos que considerei mais importantes na mensagem de áudio. Além do que o autor transmitiu, em alguns pontos acrescentei textos meus. Frank Viola autorizou a publicação dessas notas em Português, com o seguinte “disclaimer”: “Frank Viola não fala Português, de modo que ele não pode avaliar quão fiel é a tradução abaixo. Para acessar os livros de Frank Viola em Português, clique http://frankviola.org/europe. Se você fala Inglês, pode acessar o curso “Living by the Indwelling Life of Christ” em http://frankviola.info

 

Vamos terminar de cobrir Gálatas, passamos brevemente por 1Tessalonicensses e entramos em 1Coríntios.

Gl 5.15 ss. Ponto forte: não é raro ver irmãos andando na carne, porém pensando que estão andando no Espírito! Às vezes dividem igrejas, causam dissensão e acham que estão seguindo a direção do Senhor! Por isso, Paulo adverte a igreja em suas cartas: não se enganem… A igreja em Corinto tinha irmãos que estavam nessa condição. Por isso Paulo lista as obras da carne e o fruto do Espírito, para que possamos saber se estamos agindo pela carne ou pela vida de Cristo em nós.

A carne é o que somos pelo nosso nascimento natural, herança de Adão. Em Gl 5 temos o que a carne produz, que são as obras da carne:

•        Prostituição (gr. porteia): relação sexual ilícita, sexo fora do casamento, homossexualismo, lesbianismo, relação sexual com animais.

•        Impureza (gr. akatharsia): impureza proveniente de desejos sexuais, luxúria, vida devassa.

•        Lascívia (gr. aselgeia): licensiosidade, libertinagem, impudência.

•        Idolatria (gr. eidololatreia): adoração a deuses falsos, vícios provenientes de tal prática.

•        Feitiçaria (gr. pharmakeia): uso de drogas, artes mágicas, frequentemente estimulado pela idolatria.

•        Inimizade (gr. ekthra): odiosidade, aversão.

•        Porfia (gr. eris): contenda, disputa, discussão.

•        Ciúmes (gr. zelos): receio de perder alguma coisa; sentimento doloroso que o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade fazem nascer em alguém.

•        Ira (gr. thumos): raiva, fúria.

•        Egoísmo (gr. eirtheia): desejo de colocar-se acima do outro.

•        Dissensão (gr. dikostasia): divisão.

•        Facção (gr. hairesis): sectarismo, grupo de homens escolhendo seus próprios princípios.

•        Inveja (gr. phthonos): Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem.

•        Embriaguez (gr. methe): intoxicação, bebedeira.

•        Orgia (gr. komos): glutonaria, festim licencioso, bacanal.

(e coisas semelhantes a essas…)

Conclusão: em uma só palavra, a essência da carne é o egocentrismo, o egoísmo, que é o oposto do amor: beneficiar-se às custas dos outros. O resultado das obras da carne é a destruição da comunhão, não apenas com os irmãos mas também com Deus. Por isso Paulo adverte que os que praticam tais obras e não se arrependem não herdarão o reino de Deus!

Gálatas também descreve o que somos  pelo novo nascimento, nascidos de Deus. E descreve o que produzimos pela vida de Cristo em nós: o fruto do espírito. Este fruto é a evidência da vida divina em nós (comparar com 1Co 13):

•        Amor (gr. agape): amor fraterno, benevolência.

•        Alegria (gr. kara): sentimento de felicidade, contentamento, satisfação, gozo, júbilo.

•        Paz (gr. eirene): estado de tranquilidade, harmonia entre indivíduos.

•        Longanimidade (gr. makrothumia): paciência, tolerância.

•        Amabilidade (gr. krestotes): ser suave, brando, agradável.

•        Bondade (gr. agathosune): retidão de coração, gentileza, indulgência, clemência.

•        Fé (gr. pistis): convicção da verdade de algo.

•        Mansidão (gr. praotes): humildade, brandura, serenidade.

•        Domínio próprio (gr. egkrateia): auto-controle, virtude de alguém que domina seus desejos e paixões.

É importante dar destaque especial à longanimidade, que implica ter um instinto espiritual pela cruz (“Os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne…”): A vida na igreja orgânica é a experiência mais gloriosa que alguém pode conhecer como cristão, mas ela nunca funcionou, não funciona e nunca funcionará se não abraçarmos a cruz!

Conclusão: em uma só palavra, a essência da vida de Jesus em nós  é o amor: beneficiar o próximo às custas de si próprio, desgastar-se, consumir-se em benefício dos demais.

O resultado do fruto do espírito é o estreitamento de relacionamentos, é a edificação mútua, é construir a comunhão dos santos! É gerar uma comunidade de irmãos e irmãs maduros, que não se ofendem com facilidade (irmãos “cascas grossas”).

Podemos afirmar que é impossível vivenciar ou experimentar a verdadeira comunhão sem viver em comunidade. Tal experiência não existe na igreja institucional, onde os irmãos se reúnem apenas algumas horas por semana, e ainda assim de forma não-participativa.

1 Tessalonissences:

A igreja em Tessalônica foi fundada por Paulo, Silas e Timóteo, durante apenas 3 meses aproximadamente. Nesse período Paulo instruiu os irmãos sobre como eles deviam andar em Cristo (1Ts 2.11-12; 4.1-2), especialmente sobre abster-se da prostituição, pois Tessalônica era uma grande cidade-porto da Grécia,  particularmente promíscua (vs. 4.3-7). Mas veja só o que ele escreve em 4.9, para aqueles irmãos recém-convertidos: que ele não precisava ensinar os irmãos a se amarem, porque o próprio Deus é que nos ensina a amar os irmãos! Isto é evidência do instinto espiritual do amor, que vem diretamente da vida divina em nós! Quer dizer: quando nos  desviamos do amor e fazemos algo contra algum irmão, se estivermos em contato com nosso instinto espiritual sentiremos uma sensação incômoda em nós e saberemos que o que fizemos não é correto. Quando somos tocados para dar, para ceder, para não revidar, para não guardar rancor, enfim mortificar a carne, “perder a vida”, isso é a própria vida divina movendo-se em nós!

Mas se estamos fora de sintonia, se estamos espiritualmente “anestesiados”, o que estamos fazendo é simplesmente enganar-nos a nós mesmos.

1 Coríntios:

1Cor 1.2,  Paulo escreve à igreja de Corinto, que estava CHEIA de problemas (incesto, adultério, prostituição, litígios legais, embriaguez, dissensões etc.) Mas ele começa a carta chamando os irmãos de “santificados em Cristo Jesus”, “chamados para ser santos”! Ele não faz apelos religiosos e nem acusa os irmãos pelos seus pecados, mas começa trazendo à memória deles quem eles já eram em Cristo!

No vers. 1.9 ele recorda aos irmãos que eles foram chamados por Deus à COMUNHÃO do seu Filho. As obras da carne destroem comunhão, promovendo dissensões. A igreja de Corinto estava sendo dividida em torno dos obreiros cristãos (Paulo, Apolo, Pedro) e até mesmo Cristo.  E essa divisão pode ocorrer não apenas em torno de pessoas, mas também em torno de ideias, de doutrinas, de conceitos ou interpretações pessoais, como é tão comum nos dias de hoje. Mas a pergunta de Paulo foi: “por acaso Cristo está dividido?!” (1Co 1.13). No grego, a palavra “dividir” (merizo) significa “cortar em pedaços”. Conclui-se que promover divisões na igreja é o mesmo que atacar Jesus com um facão e partir o seu corpo! É claro que nossos instintos espirituais nunca irão nos guiar a isso, mas sim no sentido oposto, de conciliação, de união, de sofrer perda, de abraçar a cruz, a fim de “preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4.3). Por isso, Paulo podia com segurança repreender os crentes coríntios como sendo carnais (1Co 3.1-4) ainda que, com certeza, todos eles achassem que estavam sendo espirituais.

1Co 1.30. O que precisamos para andar no Espírito? (pense e responda, antes de prosseguir).

Nos versículos anteriores, Paulo chama a atenção de que no meio da igreja de Corinto não eram muitos os sábios, os poderosos e os nobres, pelo contrário, a vasta maioria era gente muito humilde e e desfavorecida, inclusive intelectualmente, pode-se afirmar. O versículo 1.30 deixa claro que não temos que buscar mais sabedoria, nem mais justiça, nem mais santificação, ou mais redenção de pecados, porque Cristo, que habita em nós, JÁ É TUDO ISSO. Então, tudo o que precisamos para andar no Espírito é Jesus! Isso simplifica tremendamente a vida cristã, pois ela é o próprio Cristo, que já reside em nós! Isso é TUDO o que precisamos aprender e praticar: viver pela vida de Cristo em nós! É isso o que define o que realmente é uma igreja.

Igreja orgânica (e, a propósito, não existe outro tipo de igreja) é um grupo de pessoas que estão aprendendo a viver pela vida residente de Cristo nelas, e expressando coletivamente essa vida divina.

1Co 3.1-4. Paulo deixa claro aos coríntios que ao praticarem as obras da carne (ciúmes, contendas e divisões), eles estavam agindo como meros homens naturais, como velhas criaturas que não têm a vida divina. Isso é muito poderoso, pois Paulo está lembrando àqueles irmãos que eles não estavam vivendo de maneira coerente com o que eles realmente já eram em Cristo: novas criaturas, portadoras do DNA divino, cuja própria natureza, cujos próprios instintos deveriam impedir tal tipo de comportamento “natural”, como fazem os homens comuns! Note que a primeira coisa que Paulo faz, antes de passar qualquer outra instrução aos irmãos, é fazê-los lembrar quem eles eram em Cristo, abrindo-lhes os olhos para o fato de que eles já eram portadores da vida divina, uma nova criação em Cristo. Paulo assim procedia porque mudar a maneira como andamos (passando a andar no Espírito) é o mesmo que saber quem nós somos!

1Co 6.15-17,19. Somos, REALMENTE, morada, templo, casa, lugar de habitação de Deus! Somos tão unidos a Ele que qualquer coisa que façamos, seja como o nosso corpo, alma ou espírito, é exatamente como se o próprio Jesus estivesse fazendo! Isso é muito forte e poderoso…

Em 1Co 6.17 vimos que nós, que nos unimos ao Senhor, somos um só espírito com Ele. Portanto, é no nosso espírito que temos comunhão com Jesus, e é através da nossa intuição e da nossa consciência que ele fala conosco. Mas espírito e alma estão tão unidos como parte integrante do nosso ser, que não podem ser separados. Ou seja, quando o Senhor toca nosso espírito, imediatamente isso ressoa na nossa alma, na nossa mente, gerando em nós pensamentos, emoções e vontades. Em outras palavras, se estamos em comunhão com Cristo no espírito, nossos pensamentos, nossas emoções e nossa vontade se confundem com as do próprio Senhor!

ABRINDO PARÊNTESE, DA LIÇÃO ANTERIOR: Se nossos pensamentos se confundem com os pensamentos do próprio Jesus em nós, vale a pena lembrar o critério para discernir se um pensamento que temos vem do Senhor ou da nossa carne: podemos saber que estamos sendo guiados pelo Espírito de Deus, que é o Senhor falando conosco se o que pensamos ou sentimos é compatível com o caráter de Cristo, levando-nos a manifestar o fruto do Espírito (lembre-se: não é pela forma da voz, mas pelo conteúdo da mesma). Se nos ocorre um pensamento que nos conduz à cruz, a morrer para nós mesmos, a beneficiar os outros, podemos saber que é o Senhor falando conosco. Então não espere um arrepio, uma voz especial, um transe (isso pode ocorrer, mas não é isso o que define se é de Deus ou não). Se o pensamento, sentimento ou vontade que sentimos beneficia a nós mesmos, ou se produz divisão ou discórdia entre os irmãos, se contradiz a Palavra ou se é incompatível com o fruto do espírito, podemos estar certos de que isso não vem do Senhor. A “voz”, o impulso, a mensagem, o “recado” leva à auto-gratificação, à auto-exaltação, ao benefício próprio? Então trata-se da carne, a velha criatura, ou é o inimigo. Se, ao contrário, a “voz” ou o pensamento nos leva à cruz, à auto-negação e ao benefício do próximo, podemos estar seguros de que é o amor, é a vida do Senhor em nós!

FECHA PARÊNTESE.

Continuando: pelo fato de sermos tão unidos ao Senhor, não apenas temos os pensamentos dEle, mas também temos seus sentimentos; podemos sentir o que Ele sente, através das nossas emoções. Em Fp 1.8 Paulo afirma que sente saudade dos irmãos, mas deixa claro que esse sentimento vem do próprio Senhor Jesus, que habita nele e se manifesta também através das emoções de Paulo!

A alma também envolve nossa vontade. E o Senhor também manifesta sua vontade, o seu querer em nós, através da nossa vontade, nossas decisões. Ele deseja  por nós, através de nós; Ele manifesta Seu querer em nós: veja Fp 2.13. Isso é a própria vida do Senhor se manifestando em nós!

1Co12.1-4. Antes, sem Cristo, os coríntios serviam a deuses mudos, que não podiam falar. Mas depois, unidos ao Senhor, os irmãos coríntios conheceram a um Deus que fala, e fala através deles, pois habita dentro deles! O Deus Vivo fala através do seu Corpo, que é a Igreja! Ele fala através de nós, irmãos e irmãs! É por essa razão que nos reunimos: para expressar e compartilhar o Senhor Jesus Cristo mutuamente! Esse é um grande privilégio concedido a cada um de nós: vir a uma reunião e alimentar os demais irmãos com a presença do Senhor em nós!

1Co 12.13b, no contexto da manifestação do Corpo nas reuniões participativas da igreja, fala que a todos nós foi concedido “beber do mesmo Espírito”. Como é que você bebe água? Simplesmente abrindo a boca. Portanto é preciso que cada um, estando em sintonia com o Espírito, abra a boca para clamar, para cantar, para falar, para encher-se da “água” do Espírito Santo. Isso faz com que todos ministrem uns aos outros, para edificação mútua durante as reuniões da comunidade. Veja também Ef 5.18-19: “mas enchei-vos do Espírito… falando entre vós…louvando ao Senhor de coração… com cânticos espirituais”.

1Co 12.3 …ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo. Se você disser “Jesus é Senhor” com convicção, é o Espírito Santo que o habilita a dizer isso. E toda a vez que você diz com fé: “Senhor Jesus”, o próprio espírito de Deus se move em você!

E nos versículos seguintes Paulo continua descrevendo como é que esse Deus vivo, que fala, opera através nos irmãos, nas reuniões da igreja: 1Co 12.6 “o mesmo Deus é quem opera tudo em todos”; v.11: o Espírito Santo opera tais coisas através de cada membro, individualmente!

 

TAREFA 1: Ler 1Co 13.4-7 colocando em cada frase a expressão “quando vivo pela vida de Cristo” no tempo presente (por exemplo, 1Co 13.4: “Quando eu vivo pela vida de Cristo sou paciente, quando vivo pela de Cristo sou benigno, etc.).

TAREFA 2: Amar o Senhor imediatamente ao despertar. Praticar o “orar-ler-ouvir” (disciplina espiritual já descrita em lições anteriores).

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