DC-01. Anjos, Satanás e demônios
1. Os anjos
Seguem-se detalhes e diversas referências bíblicas sobre os anjos de Deus. Consulte aquelas que despertam o seu interesse.
1.1 Os anjos realmente existem?
A existência de anjos é ensinada nas Escrituras Sagradas: os anjos são mencionados em 34 dos 66 livros da Bíblia. A palavra anjo (do grego, “ânguelos”) significa “mensageiro”. Os anjos são seres espirituais, mensageiros ou servidores celestiais de Deus (Hb 1.13,14), os quais foram criados por Deus antes da criação do mundo (Jó 38.6,7; Cl 1.16), em estado de santidade (Gn 1.31).
1.2 Quais são os atributos dos anjos?
Os anjos têm intelecto, emoções e vontade (1 Pe 1.12; Lc 2.13; Jd 6). Eles não se reproduzem segundo sua espécie (Mc 12.25), não morrem (Lc 20.36), são distintos dos seres humanos (Sl 8.4,5) e têm grande poder (2 Pe 2.11) e são superiores aos seres humanos (Hb 2.6,7).
1.3 Como os anjos estão organizados?
A quantidade de anjos é inumerável (Hb 12.22), e todos estão em submissão a Cristo (1 Pe 3.22). Eles aparentemente estão organizados em diferentes categorias: há arcanjos, ou anjos principais (Jd 9, 1 Ts 4.16), serafins (Is 6.1-3), ligados à adoração a Deus, querubins (Ez 10.1-3), ligados à santidade de Deus, anjos da guarda (dos cristãos – Hb 1.14; de crianças – Mt 18.10) e os inúmeros espíritos ministradores angelicais (Ap 5.11).
1.4 O que fazem os anjos?
Os anjos bons louvam a Deus (Hb 1.6; Ap 5.11; 7.11) e desempenham numerosas atividades na terra, cumprindo ordens de Deus. Seus deveres relacionam-se principalmente com a obra redentora de Cristo (Mt 1.20-24; 2.13; 28.2; Lc 1-2; At 1.10; Ap 14.6,7). Regozijam-se por um só pecador que se arrepende (Lc 15.10), servem em prol do povo de Deus (Dn 3.25; 6.22; Mt 18.10; Hb 1.14), observam o comportamento da congregação dos cristãos (1 Co 11.10; 1 Tm 5.21), são portadores de mensagens de Deus (Zc 1.14-17; At 10.1-8; 27.23,24), trazem respostas às orações (Dn 9.21-23; At 10.4), às vezes ajudam a interpretar sonhos e visões proféticas (Dn 7.15,16), fortalecem o povo de Deus nas provações (Mt 4.11; Lc 22.43), protegem os santos que temem a Deus e se afastam do mal (Sl 34.7; 91.11; Dn 6.22; At 12.7-10), castigam os inimigos de Deus (2 Rs 19.35; At 12.23; Ap 14.17-16.21), ministram aos justos na hora da sua morte e os conduzem ao céu (Lc 16.22; Jd 9), lutam contra as forças demoníacas e estarão envolvidos nos juízos da Tribulação (Ap 12.7-9; 16), acompanharão a Cristo na sua segunda vinda (Mt 24.30,31) e estarão presentes no julgamento da raça humana (Lc 12.8,9). [ref. 1, p. 1633; ref. 8, p. 386].
1.5 É bíblico fazer pedidos aos anjos?
A Bíblia não contém nenhum exemplo de que algum servo de Deus invocasse um anjo. Portanto, não se deve dirigir oração ou adoração a eles (Cl 2.18; Ap 19.9,10). Isto seria idolatria (o ato de adorar uma criatura, um falso deus).
2. Satanás e os demônios
2.1 Satanás existe?
A palavra “satanas” vem do latim, e significa “o que arma ciladas”, “inimigo”. O truque preferido de Satanás é levar as pessoas a pensarem que ele não existe, pois então terá plena liberdade para atuar. Mas a existência de Satanás é ensinada em sete livros do AT e por todos os autores do NT. Jesus reconheceu e ensinou a existência de Satanás (Mt 13.39; Lc 10.18; 11.18).
2.2 Quem é Satanás?
Satanás é uma pessoa: possui intelecto, vontade e emoções (2 Co 11.3; Ap 12.17; 2 Tm 2.26, ver ainda Jó 1). Ele é um ser espiritual criado por Deus, provavelmente pertencente à ordem dos querubins, sendo inicialmente o mais exaltado dos anjos (conforme a interpretação tradicional de Ez 28.12-15 como sendo uma referência a Satanás, além do rei de Tiro).
2.3 Qual foi o pecado de Satanás?
Seu pecado foi a soberba e a rebelião contra Deus (conforme provável referência indireta a Satanás em Is 14.12-14; e referência direta em 1Tm 3.6), pelo qual Deus lhe impôs os seguintes juízos: expulsão de sua posição original no céu (Ez 28.16-19), julgamento no Éden (Gn 3.14,15), na cruz (Jo 12.31); expulsão dos céus na metade da Tribulação (Ap 12.13), prisão no abismo durante o Milênio (Ap 20.2) e lançamento no lago de fogo no fim do Milênio (Ap 20.10).
2.4 Como atua Satanás?
A atuação de Satanás atualmente envolve o engano das nações (Ap 20.3), a cegueira espiritual dos incrédulos (2 Co 4.4) e o roubo da Palavra de seus corações (Lc 8.12).
Quanto aos cristãos, Satanás procura destruí-los (1 Pe 5.8), os tenta à mentira e à imoralidade (At 5.3; 1 Co 7.5), comanda os demônios para tentar derrotar os cristãos (Ef 6.12), dificulta o seu trabalho (1 Ts 2.18) e incita perseguições contra eles (Ap 2.10). Satanás é homicida, mentiroso, um pecador contumaz, acusador e astuto (Jo 8.44; 1Jo 3.8; Ap 12.9,10; 1Pe 5.8; Ef 6.11; ).
2.5 Quanto poder possui Satanás?
A Bíblia deixa claro que Satanás é um ser poderoso (2 Ts 2.9; Mt 24.24; Ap 13.2). Mas Deus impõe limites à sua atuação. Ele só pode agir debaixo da vontade permissiva de Deus (Jó 1.12). É muito importante entender esse ponto, pois alguns cristãos parecem atribuir a Satanás um poder equivalente ao de Deus, o que não é verdade, pois toda a autoridade foi dada a Jesus Cristo (Mt 28.18). Além disso, Satanás é uma criatura e portanto não é nem onisciente e nem onipresente. Sua ação pode ser resistida pelo verdadeiro cristão (Tg 4.7; Ef 6.11-18). Portanto, permanecendo firme em Jesus, você não deve ter medo de Satanás e de nenhum outro demônio, pois o próprio Cristo é quem lhe protegerá (1Jo 5.18).
2.6 Quem são os demônios?
Os demônios são anjos caídos, que acompanharam a rebelião de Satanás e foram condenados com ele. Alguns estão presos (2 Pe 2.4; Jd 6), mas muitos estão soltos. Eles têm uma hierarquia bem organizada, sob o comando de Satanás (Mt 12.24; Ef 6.11,12). Eles conhecem Jesus (Mc 1.24), conhecem seu destino final (Mt 8.29) e o plano de salvação (Tg 2.19). São chamados de espíritos imundos (Mc 9.25) e tentam se opor aos propósitos de Deus (Dn 10.10-14; Ap 16.13-16). Deus, porém, na Sua soberania, pode usar os demônios na realização de Seus propósitos (1Sm 16.14; 2Co 12.7).
2.7 Como atuam os demônios sobre as pessoas?
Os demônios procuram levar as pessoas a uma conduta imoral (1Tm 4.1,2). Eles são a força motriz por trás da idolatria, de modo que adorar falsos deuses é praticamente o mesmo que adorar demônios (Dt 32.17; Sl 106.36,37; 1Co 10.20).
Eles podem habitar no corpo dos incrédulos (possessão demoníaca) e constantemente o fazem (Mc 5.15; Lc 4.41; 8.27,28; At 16.18), usando as vozes dessas pessoas, escravizando-as e levando-as à iniqüidade, imoralidade e destruição. Aqueles que se envolvem com espiritismo, adivinhações, magia ou feitiçaria estão lidando com espíritos malignos, o que facilmente leva à possessão demoníaca (At 13.8-10; 19.19; Gl 5.20; Ap 9.20,21).
Os demônios podem influenciar os pensamentos, emoções e atos dos cristãos que não obedecem ao Espírito Santo (influência demoníaca – Mt 16.23; 2 Co 11.3,14).
Os demônios podem causar doenças físicas (Mt 9.32,33; 12.22; 17.14-18; Mc 9.17-27; Lc 13.11,16), embora nem todas as enfermidades procedam de espíritos malignos (Mt 4.24; Lc 5.12,13).
Os demônios atuarão intensamente nestes últimos dias, difundindo o ocultismo, a imoralidade, a violência e a crueldade, atacando a Palavra de Deus e a sã doutrina (Mt 24.24; 2 Co 11.14,15; 1 Tm 4.1).
2.8 Como devemos agir em relação a Satanás e os demônios?
Em seu ministério aqui na terra, Jesus derrotou Satanás em parte pela expulsão de demônios que habitava em pessoas (p.ex. Mc 1.23-27,32,34,39; 3.10-12,15;5.1-20; 6.7,13; 7.25-30; 9.17-29; 16.17) e de modo pleno através da sua morte e ressurreição (Jo 12.31; 16.17; Cl 2.15; Hb 2.14), aniquilando o domínio de Satanás e restaurando o poder do reino de Deus.
Jesus prometeu aos verdadeiros cristãos proteção e autoridade sobre o poder de Satanás e das suas hostes (Lc 10.19; Jo 14.12, 1Jo 5.18). Portanto, além de vigiarmos, resistirmos e nos revestirmos contra os ataques malignos (1 Pe 5.8; Tg 4.7; Ef 6.11-18), devemos exercer a autoridade que o Senhor nos deu, confrontando Satanás e seus demônios de modo direto, em nome de Jesus, pelo poder do Espírito Santo (At 5.16; 8.7; 16.18; 19.12), fortalecidos pelo jejum e oração, vivendo em santidade diante de Deus, e em obediência à sua Palavra.