Sobre a prática do “orar-ler-ouvir”

woman_praying_over_BibleDeixo aqui algumas dicas práticas sobre o “orar-ler-ouvir”, uma forma de oração bastante útil e eficaz. Essas dicas são uma compilação do que  tenho lido a respeito nos livros de Watchman Nee, Madame Guyon, Brother Lawrence e Frank Viola.

1) O que é “orar-ler-ouvir”? Consiste em usar as Escrituras como apoio para um contato vivo com o Senhor Jesus. O objetivo é nutrir-se dEle, pois Jesus disse, em várias passagens nos evangelhos que Ele próprio é verdadeira comida e verdadeira bebida (Jo 4.14; 6.35, 51-57). Disse também que suas palavras “são espírito e são vida” (Jo 6.63) e que o homem viverá de toda palavra que procede da boca de Deus (em Mt 4.4 Jesus cita Dt 8.3). Sabemos também que TODA palavra preservada por Deus no que hoje conhecemos como Bíblia é inspirada pelo Espírito do Senhor (2Tm 3.16; 2Pe1.21). A primeira conclusão aqui é que podemos, com toda fé e segurança, tomar as palavras da Bíblia Sagrada como alimento espiritual servido pelo próprio Cristo, Senhor nosso. Em contato profundo, espiritual (não apenas racional) com a Palavra, podemos tocar Jesus e receber vida e direção diretamente do Espírito Santo! Incrível, não? Só dá pra acreditar porque é bíblico…

2) O que NÃO é “orar-ler-ouvir”? Embora possamos abrir a Bíblia aleatoriamente para selecionar um trecho para meditar, o “orar-ler-ouvir” não deve ser confundido com a prática da “cartomancia evangélica” para “consultar” a Deus. Embora possamos repetir várias vezes o mesmo trecho ou a mesma palavra durante o “orar-ler-ouvir”, não se trata de uma simples repetição mecânica ou mantra esotérico, mas sim algo como mastigar várias vezes o mesmo bocado de comida, a fim de  aproveitar ao máximo seus nutrientes. Embora com a prática, com certa frequência possamos sentir o suave toque e quase que ouvir a doce voz do Espírito, essa não é a finalidade do “orar-ler-ouvir”. Não é algo que fazemos para nós, mas para o Senhor. Não somos nós o centro, mas sim Ele. Não levamos a cabo tal prática a fim de “sentir” arrepios, ter visões ou entrar em transe. Se eventualmente isso acontecer, ótimo. Mas é justamente quando nada disso acontece, quando parece que o céu está fechado e que o nosso incenso não passa do teto, e mesmo assim  continuamos praticando o “orar-ler-ouvir”, é aí que estaremos provando ao Senhor nossa verdadeira motivação: simplesmente amá-lo e adorá-lo, esperando nEle como aquela mulher cananéia que se contentava em comer as migalhas do pão vivo, e cuja fé tanto agradou o Senhor.

3) Quais são os pré-requisitos para que o orar-ler-ouvir “funcione”? Como tudo o que fazemos diante do Senhor, devemos nos aproximar dEle com humildade de espírito, com um coração quebrantado e puro, com absoluta certeza de fé, apropriando-nos do perdão dos nossos pecados pelo poderoso sangue do Cordeiro. É também fundamental aquietar a alma, concentrando-se na pessoa bendita de Cristo. Para isso, ajuda muito proclamar algumas vezes o Nome que está acima de todo nome, e diante do qual se dobra todo joelho que há nos céus, na terra e debaixo da terra: “Jesus!”. Experimente…

4) Finalmente, como se pratica o “orar-ler-ouvir”? Melhor seria descrevê-lo como “orar-ler”+”ouvir”, já que são duas partes que se complementam. A parte do orar-ler consiste em fazer das palavras da Bíblia o ponto de partida e referência central da nossa oração, isto é, iniciar orando uma porção da Palavra de Deus. Por isso, escolha um trecho adequado para esse tipo de prática espiritual. Por exemplo, escolher o Salmo 23 é mais adequado que escolher uma lista genealógica de Números. Leia o trecho com toda a atenção espiritual em cada palavra, procurando achar ali a ponte que lhe conduz ao Senhor Jesus. Releia quantas vezes for preciso. Quando o seu espírito se sentir tocado ou movido, às vezes por uma única palavra ou ideia trazida pelo texto, você pode simplesmente parar (iniciando o “ouvir”, descrito mais abaixo) ou pode, a partir daquele “toque” no espírito, completar a oração-leitura com suas próprias palavras: rasgue o seu coração, declare seu amor e dependência ao Senhor. Quando fizer isso, evite requentar as frases feitas do jargão evangélico. Mais vale um gemido inexprimível espontâneo do que um insosso clichê religioso.

Em seguida entra a segunda parte, o “ouvir”. Faça uso de pausas, clame novamente o nome do Senhor, medite em silêncio por alguns instantes, escave o profundo de cada palavra que você leu ou declarou. Se em algum desses momentos de absoluta quietude lhe vier um pensamento ou imagem que você sente vir do Senhor, embarque nele, converse em espírito com Deus. É boa ideia ter um caderno ao alcance, para anotar e não esquecer o lhe foi transmitido. Pode ser algo que o Senhor deseje que você compartilhe depois com os demais irmãos. E após isso volte ao orar-ler, especialmente se a sua mente quiser divagar. É importante manter a mente cativa ao pensamento no Senhor. Quando ela tentar se desviar, você pode simplesmente dizer “Jesus!”, voltando a orar-ler, e logo você estará desfrutando do rio de água viva que brota do trono de Deus. Mas se eventualmente, após algum tempo nada mais acontecer, bendiga ao Senhor, agradeça-O e encerre esse momento especial.

Ah, uma nota final: pode ser que o inimigo tente lhe atacar na mente com algum pensamento ou imagem impura. Ao invés de assustar-se, irar-se e distrair-se com isto,  calmamente retorne à Palavra, orando-lendo. Também ajuda clamar o nome de Jesus, como o menino que chama o irmão maior para o defender, pois esse Nome é temido por todo espírito imundo, os quais tremem  diante dele. Se for preciso, declare sua fé no sangue de Jesus e na eficácia do seu sacrifício definitivo na cruz. E se o inimigo lhe lembrar do seu passado, lembre a ele o futuro que já lhe está preparado. E sem perder mais tempo com isso, volte-se ao Senhor e à sua Palavra.

Desenvolva essa importante prática e você logo verá os resultados!

  1. Gostaria de saber se a prática do orar/ler/ouvir a Palavra seria o mesmo da Lectio Divina da igreja católica?

    • Olá, Bet. Que interessante! Nunca tinha ouvido falar de “Lectio Divina” antes mas, pelo que li na Wikipedia, é exatamente o mesmo! Claro que o resultado prático (maior comunhão com Cristo) depende do coração de quem faz tal prática. Note porém que, segundo a mesma fonte, essa prática tem sua origem no terceiro século, anterior portanto à instituição do que hoje conhecemos como “igreja católica”.

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