Mentira #47: Se você der o dízimo, será abençoado

tithin31Trechos do livro “52 Lies Heard in Church Every Sunday“, de Steve MacVey (entre aspas). Eventualmente acrescento algo meu:

“Eis aqui uma batata quente! … Questionar a validade de dar dízimo pode rapidamente lhe colocar em problemas. Mas se estamos interessados na verdade ensinada na Palavra de Deus, então não devemos ter medo de questionar qualquer coisa que outras pessoas digam ou façam. E como dar o dízimo é algo praticamente universal nas igrejas, essa prática é simplesmente aceita como verdade. Por isso, questionar o dízimo  pode despertar fortes reações.”

‘Eu creio que a maioria dos pastores ensinam sobre o dízimo porque eles sinceramente pensam que é isso o que a Bíblia ensina. Mas também creio que é preciso reconhecer que nós, líderes cristãos, temos interesse em interpretar a Bíblia daquela maneira, já que o suporte financeiro é uma necessidade constante em nosso trabalho como ministros do evangelho. Com isso não estou afirmando que somos desonestos, mas apenas reconhecendo que todos nós lemos a Bíblia através das nossas próprias lentes, e que às vezes temos motivos pessoais para interpretar as Escrituras de uma forma particular.”

“Que fique claro que a questão que vou tratar aqui não é se faz sentido ou se é útil que as pessoas dêem parte do que ganham para a igreja. A questão não é se é bom dar o dízimo ou não, mas se TEMOS QUE dar o dízimo, como mandamento. O ensino que estou questionando aqui é se Deus ordena os crentes a darem o dízimo. Se isso é verdade, então aqueles que não dão o dízimo estão vivendo em desobediência a Deus.”

“Um dos trechos da Bíblia mais usados para justificar o dízimo como mandamento é Malaquias 3.8-12. O Senhor enviou essa dura repreensão à nação de Israel, por sua infidelidade com relação ao pacto que tinham com Deus. Lembremos que Deus havia separado a tribo dos levitas para servirem como sacerdotes e mestres para o povo judeu. Os levitas não tinham direito à herança de terras, não podiam cultivar o solo, e nem dedicar-se a qualquer outra coisa que não fosse o ofício formal do tabernáculo e do templo. O dízimo era a única forma de sustentá-los. É por isso que a lei de Moisés ordena que a nação de Israel traga os dízimos “à casa do tesouro”, que eram locais onde se armazenavam grãos, frutas, vinho, ovelhas, bois etc., para distribuir aos sacerdotes levíticos e suas famílias. Para Israel, o dízimo não era uma opção; era mandatório.”

“Mas como já vimos em outras partes deste livro, nós cristãos não vivemos debaixo da Lei de Moisés, mas sim sob a Nova Aliança. Tenho certeza que a essa altura alguém vai dizer: ‘Um momento, Steve! O dízimo já era praticado antes mesmo da Lei de Moisés, pois, por exemplo, Abraão deu o dízimo a Melquisedeque’ (Gn 14.17-20). Mas posso dizer uma coisa? Eles também sacrificavam animais a Deus antes da Lei de Moisés, mas não vemos ninguém insistindo em que devemos fazer sacrifício de animais nas igrejas. Antes da Lei também havia a prática da poligamia e a lei do casamento levirato (pela qual um irmão sobrevivente deveria casar-se com a esposa do seu irmão falecido). De modo que o fato de uma prática existir antes da Lei não diz nada com respeito ao princípio continuar válido após a Lei.”

“A ideia de que você será abençoado por que você dá o dízimo – e será amaldiçoado se não der – é claramente um ensino da Antiga Aliança. Você não vai encontrar absolutamente nada sobre a obrigação de dar o dízimo no Novo Testamento. Isso significa que o Novo Testamento não diz nada sobre a questão dar ofertas financeiras à obra de Deus? É claro que não! O ensino do Novo Testamento sobre dar dinheiro vai muito além do dízimo. Permitam-me resumir os seguintes pontos:

  1. Sob a Nova Aliança, dar é um ato responsivo.  Aqueles que tiveram seus corações tocados pela maravilhosa graça de Deus, se sentirão movidos a dar, como resposta de gratidão a Deus. Nos damos porque Ele nos deu primeiro.
  2. Sob a Nova Aliança, dar é um ato voluntário. É algo que vem do coração, e não como obrigação imposta. Em 2Co 8.7-8, Paulo convoca os coríntios a darem aos irmãos necessitados de Jerusalém, mas deixa claro que não se tratava de cumprir um mandamento, mas sim de realizar um ato de amor. Como podem concluir lendo aquele trecho, trata-se de algo completamente diferente da Velha Aliança, na qual dar ou não dar estava associado a bênção ou maldição. Além disso, Paulo não define nenhuma quantia específica a ser dada, mas somente “o que cada um propôs no coração”. É entre você e Deus.
  3. Dar sob a Nova Aliança tem um propósito. As doações financeiras da igreja têm objetivos específicos, entre os quais dois são os principais: a) sustentar a expansão do evangelho, apoiando pessoas e ministérios (Gl 6.6); e b) atender às necessidades dos pobres e necessitados (2Co 9.12-14).

As ofertas autenticamente feitas pela graça: atendem aos necessitados, motivam os que as recebem a honrarem a agradecerem a Deus, provam a realidade da nossa fé, fazem o evangelho prosperar e constróem unidade e amor no corpo de Cristo. Você precisa de mais motivos que esses para dar? Bem, há mais um: Jesus disse que ‘mais bem-aventurado é dar do que receber’ (At 20.35).”

“O dízimo do Antigo Testamento era um imposto, não um presente. E muitos nos dias de hoje têm a mesma atitude legalista com relação a dar, achando que se não dizimarem, o carro vai quebrar, a geladeira vai pifar e todos os filhos vão precisar colocar bráquetes nos dentes. Sabe como é: ataques do gafanhoto devorador… As pessoas que agem assim não estão fazendo mais do que pagar apólices de seguro. Um vez já disse que certas pessoas pagam dízimo como se fossem reféns de Deus: elas têm que pagar o valor do resgate, ou então Deus fará com que algumas coisas muito más aconteçam em suas vidas. Que bobagem!”

“Somo abençoados quando damos? Sim, se damos por amor ao Senhor, com o desejo de fazer bem ao próximo, em nome de Jesus. Mas a resposta é não, se damos com um sentimento de peso e obrigação. Não há bênção nenhuma em dar 10% do que você ganha, para cumprir um mandamento. A bênção vem de dar-se a si mesmo, como fez Jesus. A quantia depende do que o Espírito Santo lhe mover a dar. Para alguns, dar 10% é inviável; para outros, é pouco. Nós damos de acordo com nossa capacidade de dar, de acordo ao que temos, e não do que não temos (2Co 8.12).”

“Vivemos na era da graça, e praticamos o dar pela graça. E devemos ser generosos em dar. Não consigo imaginar que a graça vai levá-lo a dar menos do que o legalismo impõe. Nós nos motivamos a dar porque amamos. Nós amamos o Senhor Jesus e desejamos dar para a obra do Reino de Deus. Damos porque recebemos o amor do Pai e porque temos a natureza do Filho. Posso lhe garantir que a graça de Deus o levará a dar com maior generosidade do que faria um coração preso ao ensino legalista do dízimo do Antigo Testamento. Nós damos porque queremos, não porque devemos.”

O que você acha? Contribua com um comentário:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s